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Selo de NY lança CD póstumo de jovem brasileiro que se matou 3/6
 

O selo de Nova York Luaka Bop, que pertence ao músico americano
David Byrne, acaba de lançar um álbum póstumo do cantor e compositor
gaúcho Yonlu, que se suicidou em 2006, aos 16 anos de idade.

O CD, intitulado A Society in which no tear is shed is inconceavably
mediocre (Uma Sociedade na qual nenhuma lágrima é derramada é
inconcebivelmente medíocre), é uma coletânea de demos gravadas
pelo adolescente (cujo nome verdadeiro era Vinícius Gageiro Marques)
em seu quarto, usando um computador e alguns instrumentos, todos
tocados por ele.

As gravações - ao todo 60 canções - foram encontradas pelo pai de Yonlu,
o professor universitário e ex-secretário da cultura do Rio Grande do
Sul Luiz Marques, depois do suicídio do filho.

Yonlu sofria de depressão e estava sob internação domiciliar há
dois meses quando se matou. O suicídio, explicado em uma carta deixada
aos pais, foi compartilhado ao vivo com um grupo de "amigos" na internet,
e foi assunto de uma longa matéria sobre sites que incentivam suicídios
na revista Época, em fevereiro de 2008.

Segundo a revista, internautas não só o incentivaram como também lhe
deram conselhos sobre o melhor método: intoxicação por monóxido de carbono.

Talento
As músicas do adolescente, reflexões sobre a vida banhadas em melancolia,
sugerem um gosto eclético: rock, bossa-nova, hip hop. Os arranjos vocais
são trabalhados: em algumas faixas, a voz foi gravada em várias camadas s
obrepostas.

Em 2008, o selo goiano Allegro lançou um CD com uma seleção de 23 canções
de Yonlu. O disco chegou ás mãos de Yale Evelev, da gravadora Luaka Bop,
conhecida por suas coletâneas de música brasileira e que tem em seu catálogo,
álbuns de David Byrne, Tom Zé, Nouvelle Vague e Susana Baca.

"Gostamos (do disco) antes de ouvir a história", disse Evelev à BBC Brasil. "
Depois de ouvir a história, pensamos, primeiro, que mais pessoas deveriam
ouvir essa música".

"Segundo, pensamos que talvez a história pudesse tocar as pessoas e passar
a mensagem de que mesmo se você acha que ninguém se importa com você, eles
se importam, sim."

A versão que está sendo lançada pelo selo americano é diferente da lançado
no Brasil pela gravadora Allegro, com algumas faixas inéditas e uma abordagem
mais conceitual, e vem despertando comparações com artistas como Nick Drake e
Caetano Veloso.

Orgulho
Muitos podem se perguntar, ao ouvir a história: Será que o selo teria lançado
um álbum com as demos de um compositor desconhecido, de 16 anos, se tivesse
ouvido o material antes da morte de Yonlu?

"A pergunta é pertinente", disse Evelev. "O fato de que ele não está mais
conosco torna particularmente difícil a tarefa de conseguir que as pessoas
ouçam esse disco".

"Uma tarefa que teria sido tão mais fácil se este menino incrivelmente
talentoso estivesse conosco para dar entrevistas e tocar sua música na
frente das pessoas".

"Isso é particularmente triste, o fato de que ele não está por aqui para
ver a resposta que sua música está provocando nessas pessoas".

"Teria sido incrível poder fazer seu próximo álbum. Se ele já soava assim aos
16, você já imaginou como seria esse disco?", pergunta Evelev.

Observando a trajetória surpreendente das músicas deixadas pelo filho, Luiz
Marques disse que sua primeira reação, ao saber do interesse do selo de Byrne
pelo material, foi de orgulho.

Falando à revista americana Sup Magazine, Marques disse que lançar o álbum foi
uma decisão artística.

"O trabalho de um artista só se completa quando é reconhecido por uma audiência".